Sábado, 22 de Julho de 2006

COSTUMES E TRADIÇÕES DAS GENTES DO SUDOESTE

Costumes e tradições
Forte do Pessegueiro
Nos costumes e tradições das gentes do Sudoeste permanecem os sinais de uma ruralidade marcada pelas estações do ano e pelo calendário das culturas. A Páscoa
anuncia a fertilidade dos campos, com as trocas de folares entre vizinhos e o almoço pascal em família, com cabrito ou borrego assado na mesa.
Em Março a serra é rainha com a feira dos enchidos tradicionais de Monchique, tempo de romaria de todo o Algarve e sul-alentejo a provar a riqueza da gastronomia
serrana.
No 1º de Maio vai-se “desmaiar” para o campo, isto é, fazer piqueniques para festejar a Primavera e espantar os fantasmas do Inverno, onde não falta o incontornável
Bolo de Maio. É também nesta data que pontuam as já famosas as Festas de Maio nas Amoreiras-Gare, as mais importantes do interior do concelho de Odemira.
Quando chega Junho, os Santos Populares dão o mote para os mastros e para a disputa pelo título de melhor baile, de mastro mais animado ou de marcha mais
bonita. Em S. Teotónio, de dois em dois anos, revive-se essa emoção no meio de ruas profusamente enfeitadas com adereços de papel colorido.
Até ao final do Verão, as festas e romarias em que se misturam o religioso e o pagão, correspondem ao final do ano agrícola e ao usufruto dos proventos
do trabalho de todo o ano. Hoje em dia, as feiras perderam importância e dimensão, mas ainda se encontra alguma memória daqueles tempos, por exemplo, no
1º domingo de Julho, na Feira de Santa Clara-a-Velha, onde até tourada acontece.
Todos estes eventos não dispensam, evidentemente, o colorido da música: o canto à capela ou acompanhado a concertina, ou o cante ao baldão acompanhado pela
viola campaniça ou ainda a Banda Filarmónica de Odemira. O Grupo de Violas Campaniças pode ser visto e ouvido nas Amoreiras. Grupos Corais há os mais diversos:
desde o de Sabóia ao da Casa do Povo de S. Luís, passando pelo de Vila Nova de Milfontes e o das Vozes Femininas das Amoreiras.
O rio Mira, outrora a principal via de comunicação, guarda ainda a memória desses tempos nos passeios de barco até à foz e nas Festas de Nossa Senhora da
Graça, no 2º fim de semana de Agosto, em Vila Nova de Milfontes, ocasião para assistir à tradicional procissão dos barcos.
Mais a sul, em Aljezur, a Feira da Batata Doce e dos Perceves marca a entrada do Outono, numa celebração do que de melhor a gastronomia vicentina tem para
oferecer.
Assim, as festas, romarias, feiras e mercados vão marcando o calendário e propiciando o cumprimento dos rituais socializantes.
A uma escala mais reduzida, isto é, envolvendo somente os parentes e os vizinhos, outros costumes continuam também a marcar a vida neste território. São,
por exemplo,
• as matanças de porco, e “estar de morte de porco” é uma situação de indisponibilidade absolutamente incontornável; junta-se a família, os vizinhos e amigos
numa actividade que tem tanto de económico como de lúdico, cujas raízes remontam ao tempo em que, não dispondo de electricidade para ter frigorífico, as
pessoas matavam o porco, na estação mais fria, para conservar a carne para a alimentação no resto do ano;
• e a destilação do medronho; nos poucos sítios onde ainda se faz; a produção de aguardente de medronho é também uma actividade muito social, que dá direito
a convites a visitas de amigos e potenciais clientes ao local da “estila”, para as provas, acompanhadas de petiscos e cantorias.
Recentemente, outras tradições mais urbanas se vieram juntar ao calendário, sendo o Festival Sudoeste, na Zambujeira do Mar, o mais emblemático e significativo
de todos eles.

(Postagem de Albertino Domingos para: tradicional@googlegroups.com)

 

publicado por tradicional às 01:29
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