Quinta-feira, 15 de Junho de 2006

CARALHOTA E SOPA DA PEDRA

Uma caralhota
A cidade de Almeirim é relativamente conhecida pelas suas virtudes gastronómicas, a saber, a Sopa de Pedra, o melão e o vinho (essencialmente o branco).
Menos conhecido mas e merecedor de igual destaque, é o pão típico que lá se faz, a tradicional caralhota, feita com farinha inteira, fermento, água e sal,
amassado à mão e cozido em fornos de lenha. Uma iguaria especialmente apetecível quando saída do forno e barrada com um pouco de manteiga que derrete com
o calor. São feitas e vendidas em casas particulares, locais de romaria obrigatória ao fim-de-semana. Os forasteiros acham sempre bastante pitoresco ver
mães de família fazerem bizarros pedidos como "guarde-me meia-dúzia de caralhotas para a tarde" ou "pelo menos arranje-me só uma caralhota para o almoço".
Os autóctones já não ligam. (Não vale a pena inquirirem-me acerca da génese de tão fálica descrição: desconheço em absoluto).
Estão avisados: se passarem por Almeirim, não deixem de comer uma caralhota.
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A SOPA DA PEDRA
A SOPA DA PEDRA
  Um frade andava no peditório. Chegou à porta de um lavrador, não lhe quiseram aí dar esmola. O frade estava a cair com fome, e disse :
• Vou ver se faço um caldinho de pedra …
list end
E pegou numa pedra do chão, sacudiu-lhe a terra e pôs-se a olhar para ela, para ver se era boa para fazer um caldo. A gente da casa pôs-se a rir do frade
e daquela lembrança. Perguntou o frade :
• Então nunca comeram caldo de pedra? Só lhes digo que é uma coisa boa.
Responderam-lhe :
• Sempre queremos ver isso!
Foi o que o frade quis ouvir. Depois de ter lavado a pedra, pediu :
• Se me emprestassem aí um pucarinho…
Deram-lhe uma panela de barro. Ele encheu-a de água e deitou-lhe a pedra dentro.
• Agora, se me deixassem estar a panelinha aí ao pé das brasas…
Deixaram. Assim que a panela começou a chiar, tornou ele :
Block quote end
• Com um bocadinho de unto,
 é que o caldo ficava um primor!
Foram-lhe buscar um pedaço de unto. Ferveu, ferveu, e a gente da casa pasmada pelo que via. Dizia o frade, provando o caldo :
• Está um bocadinho insosso. Bem precisava de uma pedrinha de sal.
Também lhe deram o sal. Temperou, provou e afirmou :
• Agora é que, com uns olhinhos de couve o caldo ficava que até os anjos o comeriam!
A dona da casa foi à horta e trouxe-lhe duas couves tenras.
O frade limpou-as e ripou-as com os dedos, deitando as folhas na panela.
Quando os olhos já estavam aferventados, disse o frade :
• Ai, um naquinho de chouriço é que lhe dava uma graça…
Trouxeram-lhe um pedaço de chouriço. Ele botou-o à panela e, enquanto se cozia, tirou do alforje pão e arranjou-se para comer com vagar. O caldo cheirava
que era uma regalo. Comeu e lambeu o beiço. Depois de despejada a panela, ficou a pedra no fundo.
A gente da casa, que estava com os olhos nele, perguntou:
• Ó senhor frade, então a pedra?
Respondeu o frade :
• A pedra lavo-a e levo-a comigo para outra vez.
E assim comeu onde não lhe queriam dar nada.
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Receita
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Sopa de Pedra
Ingredientes:
1/2 lt feijão encarnado
1kg de cabeça e orelha de porco
200 gr de entrecosto
250 gr de carne de vaca
100gr de entremeada
1 chouriço
1 morçela
1 - farinheira
1 couve lombarda
200 gr de batatas
2 cenouras
2 cebolas
2 alhos
1 folha de louro
sal qb
Um dia antes de fazer a sopa limpa-se bem a cabeça e a orelha de porco e salga-se as mesmas juntamente com a outra carne. Põe-se o feijão de molho. No dia
seguinte lavam-se as carnese os enchidos e leva-se a cozer em agua e sal. Separadamente coze-se o feijão. À medida que as carne forem cozendo vão-se retirando
da panela, pois a carne de vaca leva mais tempo a cozer que a de porco, ou os enchidos. Quando retirar todas as carnes junta-se ao caldo a couve cortada
em pedaços, as cenouras, as cebolas, as batatas cortadas em quartos, os alhos e a folha de louro. Entretanto quando o feijão estiver cozido retire metade
do feijão da panela e a outra metade passe com a varinha mágica. Junte este preparado ao dos legumes juntamente com o feijão que retirou da panela e junte-lhe
as carnes cortadas em pedaços e os enchidos em rodelas. Deixe levantar fervura e apague o lume. Está pronto a servir.
Bom apetite!
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Apetite até não falta e eu até um dia já tive o prazer de a comer!
 ...
Albertino Domingos
publicado por tradicional às 01:24
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